A avaliação dos professores em 1875: o caso de Covas do Barroso

Em baixo, pode-se verificar como era feita a avaliação dos professores há 134 anos. Diz respeito a um inquérito levado a cabo pelo inspector do 5º Círculo Escolar, António Roque da Silveira, às escolas do Concelho de Boticas, em 1875, mais especificamente à escola primária de Covas do Barroso e ao seu professor Pedro António Vieira (julgo que este senhor chegou a ser presidente da Câmara Municipal de Boticas entre 03/01/1914 e 01/01/1915) .
Não se fazendo uma comparação com os mecanismos e características da actual avaliação dos professores, a impressão que fica é que a preocupação com a avaliação da capacidade pedagógica, os métodos de ensino e os programas curriculares utilizados; o zelo e a assiduidade dos professores, o funcionamento escolar e as formas de registo de matrículas, de faltas e do aproveitamento escolar não são de agora. Poderia ser este o modelo simplificado de avaliação? Ministério e sindicatos concordariam?


Ver o resto da avaliação geral das condições da escola, do professor e dos recursos pedagógicos e da frequência e resultados dos alunos carregando em

A escola em Covas do Barroso: orgulho de uma comunidade

"Em 9 de Novembro de 1836 foi fundado o concelho de Boticas. O sentimento de euforia, o orgulho da autonomia recém adquirida, empurraria, certamente, as autoridades para a concretização das aspirações de toda uma comunidade, onde a instrução teria a sua quota parte como se verifica pelo ritmo, sem dúvida de assinalar, do aumento das escolas do Ensino das Primeiras Letras. De uma escola apenas que lhe vinha do passado, o concelho passa, em quatro anos, a estar dotado de três escolas, uma em Boticas criada em 1837, outra em Covas fundada em 1839 e finalmente em Bobadela fundada em 1840."

in:
Borralheiro, Rogério Capelo Pereira (1999), O Ensino Primário no concelho de Boticas, 1867-1875, Boticas, Câmara Municipal de Boticas [pág.22]

A passagem de Frei Bartolomeu dos Mártires por Covas do Barroso

No livro Vida e Obra de Frei Bartolomeu dos Mártires, publicado em 1619, Frei Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho), descreve a passagem do arcebispo por terras de Barroso. Este relato mostra o quão inóspita era essa região naquela altura e o quanto estaria afastada da Cristandade. De facto, segundo reza a história, nunca antes um arcebispo aí se havia deslocado. (Ler mais sobre Frei Bartolomeu dos Mártires)
Nessa visita a esta parte intransitável da sua diocese - Braga - o ilustre, resoluto e erudito Arcebispo, que já havia defendido suas ideias no terceiro concílio de Trento, passou por Covas do Barroso: "Andava já o arcebispo no mais trabalhoso da serra; e passava um dia de Covas de Barroso pera onde chamam as Alturas ou o Salto; era o caminho da vereda muita estreita e costa arriba por ua serra íngreme e altíssima; e, de ua e outra banda, quase como talhada a pique e os vales tão fundos que metiam medo".

Carregando em Ler Mais poderá ler todo o relato

Poemas: Entre o azul e a circunstância


Entre o azul e a circunstância

1. Aquela cabra tosando a luz
Na sombra do pastor.

Um rapazinho que enfia estrelas no vime.
todo o morro a escrever longínquas cidades.
ignóbeis
nos cavalos do vento.

2. Não estar aqui somente.
Dar o junco às mãos doutra vinha.
Que se arredonde. A mãe.


Não à forma. De nada
ou coisa indisponível.
O sol distante para quê?

Preestar. Assim um cardo em cada calo.

3. Como doem as mãos
e um sino te amanhece
breve distância de ombros insepultos.

4. Cavemos o disponível silêncio
Com lentidão
a do sonho.

Depois qualquer maio é suficiente
sob o linho das nuvens. Ouvi.

Vigiai
Para não cairdes em tentação.

5. Nítido é o tufo de giestas
para os olhos
na intermitência dos horários.

Abriu-se a tarde em Covas de Barroso
sobre o tempo maninho
entre o fogo e o granito sem vidraças.

E agora. Cão.
Lambes a púbis das maias
Consolando-te com a frescura da sílabas.

6. Onde a arca? Onde chispa a chispa
sem pudor encerraste o azul das palavras.

Deixa que elas voem. Penetrem. Como a água.
Nítidas. Atentas como o milhafre.

Que urinem sobre o tojo.
Saltem. Cabritos de luz na nossa rua.

Quem entoa torpes ladainhas?
Para nos convencer. De inutilidades.


De António Cabral, Entre o Azul e a Circunstância, Livros do Nordeste

A festa da carola em Covas de Barroso segundo o padre Fontes

"Antigamente no dia 14, hoje dia 13 de Junho, há em Covas a Festa da Carola promovida pela Irmandade
de Santo António e das Almas.
Ao fim da cerimónia religiosa na Igreja, reúne-se toda a Irmandade, ou seja, os confrades e devotos, no Largo do Cruzeiro, onde comem pão e bebem vinho. No ano de 1973 ofereceu a Irmandade para esta refeição obrigatória para todo o irmão e devoto, 40 arrobas de pão e 18 almudes de vinho". [pág. 193]

Fontes, António Lourenço (1992), Etnografia Transmontana (Crenças e Tradições de Barroso), Vol. I, 3ª edição Lisboa, Editorial Domingos Barreira

As pinturas murais da Igreja de Covas do Barroso

Autoria de Paula Virgínia de Azevedo Bessa, Assistente do Departamento de História da Universidade do Minho


COVAS DO BARROSO – Igreja de Santa Maria

DESIGNAÇÃO: Igreja de Santa Maria de Covas do Barroso
LOCALIZAÇÃO: Covas do Barroso, Vila Real.
LOCALIZAÇÃO ACTUAL DAS PINTURAS MURAIS: in situ.
LOCALIZAÇÃO DAS PINTURAS NO EDIFÍCIO: capela-mor, nave e arcossólio de intenção funerária.

ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL:
Segundo o Livro de Registos de títulos do tempo do arcebispo D. Jorge da Costa (1489) era seu abade Joham Aº: “Item. Mostrou confirmaçom da vigairaria sem capelanja da deta igreja de Santa Maria de Couas da terra de Barroso com suas capelas per Joham Brás vigairo de Bragaa aa presentaçom de Joham Aº abade da deta egreia dada em Bragaa (…), xiiij de nouembro,1481” [Acrescento, noutra letra: “Jurou que assi era custume de seer capellam porque assi dizia na confirmaçom que fizesse”] (ADB, RG, Lº 321, fol. 78 vº).
Durante o arcebispado de D. Diogo de Sousa esta igreja paroquial era da apresentação do duque de Bragança e era seu capelão Dioguo Afomso: “(…) a xxiiijº de Março de mjll b xxbiij [1528] confirmou a capelanya perptua de Samta Maria de Couas e suas anexas da terra de barroso (…) ao clerigo de missa a apsentaçam do senhor duque padroeiro da dita que pera a aquelle selaryo e spemdio que suya dser alvaro fernandez per cujo falesimento vagou (…)” (ADB, RG, Lº 332, fol. 310 vº).

Propriedade da Ordem de Avis em Covas do Barroso

DOC. Nº 11
1308, Abril, 5 - Cabeoeiras de Basto Martim Rodrigues Badim, representado por Domingos Moreira, entrega à Ordem de Avis representada por Estevão Eanes, comendador de Oriz, o paço e a quintã de Badim, uma outra quintã de Badim (que foi de Pedro Garcia), a quintã de Banhal e a quintã de Covas de Barroso.
A.N.T.T., Ordem de Avis, nº 296

Chorographia Moderna: a freguesia de Covas do Barroso e o Rio Covas

Poesia: a dança dos meninos de Covas do Barroso

[…] por tudo isto, Lídia, quando (ou) vires um gentleman faz-lhe uma figa ou, se o entenderes, um signo-saimão na encruzilhada em que venha a passar, preferível como um ouriço é arranhar as tripas do Marão, soltar lá de cima um viva cor de fogo e vir passar um serão valsado com a tuna de Meneses, lembras-te das maias e daquele grupo de meninos de Covas de Barroso, dançam tão bem, dizias, e cantavas com eles a história da pastorinha que voou com o vento e subiu aos palácios da manhã, cultura, enfeite de música nas rugas da montanha, ah este povo que se embebeda nas feiras, joga o pau sem boas maneiras e cultiva gerânios contra a noite no vale de Aguiar [...]

Extracto de um poema de António Cabral (Projecto Vercial) denominado “Entre o Azul e a Circunstância” do livro Antologia de Poemas Durienses (pág. 85), Edições Tartaruga

Etnografia: o nome do planeta Vénus em Covas do Barroso



"58. O planeta Vénus, de manhã, chama-se estrella da manhã (passim), e à noute: estrêlla dos pastores (Mondim da Beira), e boieira (Covas-de-Barroso, e Carrazeda de Anciães)."

Tradições Populares de Portugal (1882), J. Leite de Vasconcellos, Porto, Livraris Portuense de Clavel & C.ª - Editores, pág.31

Imagem retirada de www.zimbio.com

As serras vistas de Covas do Barroso

Recursos Piscícolas em Covas do Barroso

A Carta Piscícola Nacional é uma base de dados disponibilizada pela Direcção Geral dos Recursos Florestais (que contou com o apoio da Fluviatilis na sua concepção) que reúne informação científica relativa aos peixes dos rios e albufeiras de Portugal. Inventaria os recursos piscícolas dos ecossistemas fluviais com recurso a fontes científicas fidedignas.
No caso de rio Covas, a montante e a jusante do Aproveitamento Hidroeléctrico de Covas do Barroso (AHCB), que faz parte da bacia hidrográfica do Rio Douro e da sub-bacia do Rio Tâmega, encontramos referências às principais espécies presentes nesse rio.
As espécies referidas são:
- a Truta, a montante e jusante do AHCB;
- a Boga, a jusante do AHCB;
- o Barbo-do-Norte, a jusante do AHCB e o
- o Escalo-do-Norte,a jusante do AHCB.

Tenha-se em consideração que, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados 2005, a truta-marisca é uma espécie "criticamente em perigo". Uma espécie está "Criticamente em Perigo" quando enfrenta um risco de extinção na natureza extremamente elevado.

A imagem foi retirada do site da ilustradora Julie Paschkis

Descrição de Barroso no Archivo Pittoresco (1862)

"BARROSO

Além do importante estudo pecuario de Barroso, feito pelo sr. Lima, distincto professor do instituto agrícola, de que démos conta a pag. 21 do numero 3, temos tambem uma boa memoria descriptiva d'aquelle paiz, feita pelo dr. Manuel Antonio de Moraes Mendonça, sumida no vol. III do Jornal de Coimbra, anno 1813, hoje mui raro.
D'essa quasi desconhecida memoria faremos alguns extractos para elucidação da nossa estampa.
O concelho de Montalegre tambem é conhecido por térra de Barroso. Ja no tempo dos reis D. Diniz, D. Affonso IV e D. Manuel, que deram foraes á villa de Montalegre, o concelho era denominado térra de Barroso. Está situado na provincia de Traz-os-Monles a 41 graus de latitude, e a 10 de longitude. Confina com o reino de Galliza pelo lado do norte, pelo nascente com o concelho de Chaves, e pelo sul e poente com o de Ruivães na provincia de Entre Douro e Minho. Em Montalegre havia d'antes uma bem construida fortificação, hoje arruinada. Não ha memoria authentica d'esta fortaleza: mas consta que fora reformada no reinado de D. Affonso IV, como se vê de uma inscripção que aínda subsiste n’uma das suas torres, por este modo: R. ALT. 4.° an. 1331. E outra do (tempo dos Filippes, que diz : Reformou o L.d° .Manoel Antunes. de Viana. Año 1580.

Propaganda religiosa: nada de bailes em Covas do Barroso




Descobri este 'perverso' cartaz, na casa do Sargaçal, em Covas do Barroso, vasculhando nos papéis que por lá havia. Guardei-o e digitalizei-o, para o poder partilhar.
Nestes dias em que dançar virou moda, com programas de televisão temáticos para todos os públicos e idades, para todos os gostos e carteiras, em todos os géneros e escolas, só posso dizer, pregando a pudicícia, os bons costumes e a moral impoluta, que:"A dança é a máscara do vício; é o coveiro da modéstia, do pudor e da honra; é o círculo que tem por centro o diabo!" Sinceramente, nunca pensei que bailar fizesse tão mal a tantas coisas. Mas também tenho cá para mim que estes Salesianos eram um bocado pés de chumbo!

Covas do Barroso na Gazeta de Lisboa de 21/05/1819



Covas do Barroso: Dicionário corográfico do reino de Portugal




Dicionário corográfico do reino de Portugal / por Agostinho Rodrigues de Andrade. - Coimbra : Imp. da Universidade, 1878. - VII p., [1] f., 254 p. ; 24 cm

Covas do Barroso: Enciclopédia Luso-Brasileira

"Covas do Barroso - Povoação e freguesia do concelho de Boticas, comarca de Montalegre, distrito e diocese de Vila Real. 1672 habitantes em 394 fogos (1960). Orago: Santa Maria. Situada a cerca de 12,5 km ao OSO da sede do concelho. Na sua área existem quatro minas de estanho (Figueira da Cabra, Novais, Souto Bougado e Souto Queimado). Foi primitivo povoamento muito anterior ao séc. XII, a partir do qual a primeira documentação escrita se lhe refere. A antiga freguesia era abadia da apresentação da Casa de Bragança, sua donatária. Administrativamente, foi sempre do termo de Boticas. Judicialmente, pertencia, em 1839, à comarca de Chaves; em 1852, à de Montalegre; em 1878, figurava no julgado de Eiró. Conservam-se nesta freguesia costumes muito antigos e curiosos como, por exemplo, uma série de cerimónias preparatórias, extra-oficiais, do casamento, que alguns etnólogos atribuem a herança dos Godos ou Francos.

F. Ribeiro

Gentes de Covas do Barroso: Zé do Olga

Covas do Barroso nas Inquirições de D. Afonso III - 1258


Um dos documentos mais antigos relativos à freguesia de Covas do Barroso é relativo às Inquirições de D. Afonso III que se realizaram em 1258. Nessas Inquirições Gerais pode-se verificar os limites territoriais, os núcleos populacionais, as propriedades agrícolas e as suas principais produções. Um dos objectivos dessas inquirições era avaliar o estado do património régio e das rendas e direitos devidos ao rei, bem como o crescimento da propriedade privilegiada.



"Item, relativamente a Santa Maria de Covas – Martinho Martins tabelião, abade da própria igreja, sob juramento e interrogado disse que o Senhor Rei é patrono e capela de Santo Salvador de Vale Longo está subordinada à Igreja Santa Maria de Covas. Item, diz que a Igreja de São Pedro de Dornelas igualmente estava subordinada à Igreja de Santa Maria de Covas, mas o Arcebispo D. Estevão Pio tomou-a para si. Item, disse que em Covas o casal do Paço que está nas imediações da Igreja é propriedade reguenga do Senhor Rei [existindo para os seus fins] e existem aí outros três casais propriedade régia, dos quais o casal que está entre a fonte de Paredes e o Paço é de sua serventia. Item, no fundo de vila nas imediações da Fonte do Senhor Nunes existe outro casal e no Barreiro outro, dos quais dão ao Senhor Rei anualmente a terça parte de pão, vinho, linho e legumes e nada mais. Item, diz-se que do Casal de Via Cova e de Lama[is?] e do Outeiro e do Barreiro que é dos filhos Rodrigues Pelágio de Vides [Roderici Pelagii de Vides] tem o Senhor Rei quarta parte destes casais, dos quais dão a terça parte assim como daqueles acima referidos e deste modo estes soldados, por esse motivo, adquiriram o seu direito próprio de defender o Rei pela força. Item, existem aí outras leiras regalengas, naturalmente, o terreno de Sobradelo que está dividido e demarcado por paredes, do qual dão terça parte ao Senhor Rei, e os herdeiros deste lugar tomam por essa razão uma boa mediação pela força."

Circuito pedestre de Covas do Barroso


Mapa de um percurso pedestre em Covas do Barroso.

O Boi do Povo: o comunitarismo em Covas do Barroso

"Em grande parte das aldeias do concelho era frequente os lavradores associarem-se para a compra, manutenção e sustento de um ou mais touros reprodutores, consoante o número de vacas existente na aldeia. Este animal, localmente designado como Boi do Povo, era propriedade comum dos lavradores da aldeia e tinha como principal função a reprodução. Geralmente, a manutenção e sustento do Boi do Povo estavam a cargo dos lavradores de cada uma das aldeias, num sistema de rotatividade entre eles, à roda, durante um período de tempo proporcional ao número de vacas que cada um tivesse. Todavia, em algumas aldeias, eram os maiores lavradores, que detinham mais recursos, quem cuidava do Boi, um determinado tempo, que variava consoante as aldeias. Em Covas do Barroso, eram nove os pensadores do Boi. Cada um ficava com ele durante um mês. Os restantes lavradores, que não pensavam o Boi, pagavam a esses uma quantia em cereais, os alqueires de pão (milho) por cada vaca que tivessem para cobrição."

Da monografia: Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, Ed. Câmara Municipal de Boticas (pág. 119)


Imagem intitulada "Chega de Bois" retirada do site do atelier de artesanato Arte da Terra, localizado em Paradela do Rio, Montalegre