25.10.09

Das armas...



"O padre de Covas do Barroso, no concelho de Boticas, tinha acabado de celebrar a missa das 7h00 quando, em plena sacristia, foi surpreendido por militares da GNR, que o detiveram por suspeita de posse ilegal de armas de fogo."

29.7.09

A avaliação dos professores em 1875

Em baixo pode-se verificar como era feita a avaliação dos professores há 134 anos. Diz respeito a um inquérito levado a cabo pelo inspector do 5º Círculo Escolar, António Roque da Silveira, às escolas do Concelho de Boticas, em 1875, mais especificamente à escola primária de Covas do Barroso e ao seu professor Pedro António Vieira (julgo que este senhor chegou a ser presidente da Câmara Municipal de Boticas entre 03/01/1914 e 01/01/1915) .
Não se fazendo uma comparação com os mecanismos e características da actual avaliação dos professores, a impressão que fica é que a preocupação com a avaliação da capacidade pedagógica, os métodos de ensino e os programas curriculares utilizados; o zelo e a assiduidade dos professores, o funcionamento escolar e as formas de registo de matrículas, de faltas e do aproveitamento escolar não são de agora. Poderia ser este o modelo simplificado de avaliação? Ministério e sindicatos concordariam?

"Do professor e do serviço escolar

14º Nome do actual professor? Pedro António Vieira.
É secular ou ecclesiastico? Secular.
Sua idade? 29 annos.
Está em bom estado physico? Está.
Quais as suas habilitações litterárias? Concurso ao Magisterio primário.

15º O professor é vitalício, temporário ou interino? Temporário.
Quanto tempo tem de serviço no magistério publico? 29 meses.
Quanto na respectiva cadeira? 29 meses.

16º O comportamento moral e civil do professor é bom, ou medíocre? Bom.
A sua capacidade litteraria é distincta, regular ou medíocre? E a sua aptidão para ensino? Regular tanto a sua capacidade literária como a aptidão para o ensino.

17º o professor rege a cadeira com zelo e assiduidade? Rege.
Mantem a disciplina na escola? Mantem.
Conserva-a em bom estado de limpeza? Conserva.
Tem ajudante, ou ajudantes? Com auctorisação superior, ou sem ella? Não tem.

18º O Professor rege só a aula diurna, ou também curso publico nocturno? Rege aula diurna e curso nocturno.
Dá uma só lição diurna, ou duas? E por quantas horas cada uma d’ellas? Duas de 3 horas cada uma.
Havendo uma só lição diurna, com que autorização supprimiu a outra? Prejudicado.
Havendo curso nocturno, por quantos mezes, e em que epocha do anno de 1873 a 1874, regeu esse curso? Por 5 meses, de Novembro de 1873 a Março de 1874.
Quantas noites por semana e quantas horas por noite? 6 noites e 3 horas por noite.

19º Funcciona actualmente o curso nocturno? Em que dia se abriu no corrente anno lectivo de 1874 a 1875? Não.
Acha-se estabelecido no próprio edifício da escola, ou em local separado? Prejudicado.
Quem paga as despezas de luzes e material da aula nocturna? Prejudicado.

20º o professor ensina particularmente? Não.
Só instrucção primaria, ou também disciplinas da secundaria? Prejudicado.

21º Exerce alguma outra profissão estranha ao magistério? Qual? Não.

22º Quaes os vencimentos do professor, provenientes de ordenado do estado? Quaes de gratificações (ordinária e extrordinaria) pela regencia da cadeira? Quaes pela do curso nocturno? 90$000 annuaes pelo estado, 20$000 de gratificação ordinária.
Por quem é paga cada uma d’essas gratificações? Pela Camara Municipal.

23º Havendo ajudante, tem este algum vencimento? Quanto, e por quem é pago? Prejudicado.

24º Qual é o modo de ensino adoptado na escola? Misto composto de mutuo e simultâneo.
Qual o methodo que o professor emprega no ensino de cada uma das disciplinas? Em leitura syllabação moderna, em escripta imitação, em arythmetica, systhema métrico, grammatica, doutrina, historia e chorografia o socrático.

25º Há programmas organizados pelo professor? Para todas as disciplinas, ou só para algumas, e quaes? Não há.

26º Quaes os compêndios mais usados na escola? Cartilha do Abbade Salamonde, Cathecismo da dioceses de Montpellier, Manual Encyclopedico, Grammatica portuguesa de Bento José d’Oliveira, Systhema métrico de Moreira de Sá, Chorografia, Historial de Portugal e Doutrina Christã do mesmo author.

27º Os registos de matrícula, faltas e aproveitamento dos alumnos, são regulares ou irregulares? São todos regulares, menos o d’aproveitamento que não tem.

28º Quaes os castigos, que o professor costuma applicar aos alumnos? Admoestação, reprehensão e castigos corporaes.

29º Quaes as recompensas? Elogios.
Havendo prémios, quem custeia a respectiva despeza? Não há.

30º Há exames annuaes na escola? Não há.
Como é composto, e por quem nomeado, o respectivo jury? Prejudicado."


Ver o resto da avaliação geral das condições da escola, do professor e dos recursos pedagógicos e da frequência e resultados dos alunos no Casa de Covas 2.

24.7.09

A Escola: orgulho de uma comunidade

"Em 9 de Novembro de 1836 foi fundado o concelho de Boticas. O sentimento de euforia, o orgulho da autonomia recém adquirida, empurraria, certamente, as autoridades para a concretização das aspirações de toda uma comunidade, onde a instrução teria a sua quota parte como se verifica pelo ritmo, sem dúvida de assinalar, do aumento das escolas do Ensino das Primeiras Letras. De uma escola apenas que lhe vinha do passado, o concelho passa, em quatro anos, a estar dotado de três escolas, uma em Boticas criada em 1837, outra em Covas fundada em 1839 e finalmente em Bobadela fundada em 1840."

in:
Borralheiro, Rogério Capelo Pereira (1999), O Ensino Primário no concelho de Boticas, 1867-1875, Boticas, Câmara Municipal de Boticas [pág.22]

20.7.09

A Passagem de Frei Bartolomeu dos Mártires por Covas do Barroso

No livro Vida e Obra de Frei Bartolomeu dos Mártires, publicado em 1619, Frei Luís de Sousa (Manuel de Sousa Coutinho), descreve a passagem do arcebispo por terras de Barroso. Este relato mostra o quão inóspita era essa região naquela altura e o quanto estaria afastada da Cristandade. De facto, segundo reza a história, nunca antes um arcebispo aí se havia deslocado. (Ler mais sobre Frei Bartolomeu dos Mártires)
Nessa visita a esta parte intransitável da sua diocese - Braga - o ilustre, resoluto e erudito Arcebispo, que já havia defendido suas ideias no terceiro concílio de Trento, passou por Covas do Barroso: "Andava já o arcebispo no mais trabalhoso da serra; e passava um dia de Covas de Barroso pera onde chamam as Alturas ou o Salto; era o caminho da vereda muita estreita e costa arriba por ua serra íngreme e altíssima; e, de ua e outra banda, quase como talhada a pique e os vales tão fundos que metiam medo". (Ler todo o relato dessa passagem no Casa de Covas II).

Entre o azul e a circunstância

Entre o azul e a circunstância

1.
Aquela cabra tosando a luz
Na sombra do pastor.

Um rapazinho que enfia estrelas no vime.
todo o morro a escrever longínquas cidades.
ignóbeis
nos cavalos do vento.

2. Não estar aqui somente.
Dar o junco às mãos doutra vinha.
Que se arredonde. A mãe.


Não à forma. De nada
ou coisa indisponível.
O sol distante para quê?

Preestar. Assim um cardo em cada calo.

3. Como doem as mãos
e um sino te amanhece
breve distância de ombros insepultos.

4. Cavemos o disponível silêncio
Com lentidão
a do sonho.

Depois qualquer maio é suficiente
sob o linho das nuvens. Ouvi.

Vigiai
Para não cairdes em tentação.

5. Nítido é o tufo de giestas
para os olhos
na intermitência dos horários.

Abriu-se a tarde em Covas de Barroso
sobre o tempo maninho
entre o fogo e o granito sem vidraças.

E agora. Cão.
Lambes a púbis das maias
Consolando-te com a frescura da sílabas.

6. Onde a arca? Onde chispa a chispa
sem pudor encerraste o azul das palavras.

Deixa que elas voem. Penetrem. Como a água.
Nítidas. Atentas como o milhafre.

Que urinem sobre o tojo.
Saltem. Cabritos de luz na nossa rua.

Quem entoa torpes ladainhas?
Para nos convencer. De inutilidades.


De António Cabral, Entre o Azul e a Circunstância, Livros do Nordeste

19.7.09

As papoilas de Covas




"250. Só em Covas do Barroso
reparei como as moçoilas,
ao trabalharem no campo,
se transformam em papoilas."


António Cabral, Entre quem é


Imagem: "Les Coquelicots à Argenteuil" de Claude Monet

Espadelar o linho na Casa do Sargaçal

.


Esta fotografia do início do séc. XX mostra a minha trisavó a espadelar o linho, em Covas do Barroso.

18.7.09

Cartaz de Nossa Senhora da Saúde - Covas

.


Cartaz da Nossa Senhora da Saúde encontrada na Casa do Sargaçal.

17.7.09

Covas do Barroso no tempo do PREC

No âmbito da "Operação Nortada", em pleno PREC (Processo Revolucionário em Curso), realizou-se uma sessão de esclarecimento em Covas do Barroso, no âmbito das campanhas de dinamização cultural e acção cívica do MFA (Movimento das Forças Armadas), em 15/01/1975. (Fonte)

Um dos principais objectivos dessas campanhas era, para Vasco Gonçalves, um dos promotores, «era levar os militares, o MFA, às populações e apoiá-las no desenvolvimento, na tomadas de consciência dos problemas que elas tinham. [...] Pretendíamos, sobretudo, transformar as ideias de fundo dessas populações. Não pretendíamos transformar essas populações em socialistas ou em comunistas. Queríamos transformá-las em gente democrática, gente aberta a analisar as situações e arrancá-las de toda aquela carga de fascismo que durante 48 anos tinha pesado sobre elas». (Ver mais: As Causas de Júlia)


Para conhecer mais sobre estas campanhas no meio rural: "A Caminhada até as Aldeias" - a ruralidade na transição para a democracia em Portugal de Sónia Vespeira de Almeida


Old School



Fotografia tirada na Escola Primária de Covas do Barroso
Foto de Marta @ Olhares.com

12.7.09

A Carola em Covas de Barroso


"Antigamente no dia 14, hoje dia 13 de Junho, há em Covas a Festa da Carola promovida pela Irmandade de Santo António e das Almas.
Ao fim da cerimónia religiosa na Igreja, reúne-se toda a Irmandade, ou seja, os confrades e devotos, no Largo do Cruzeiro, onde comem pão e bebem vinho. No ano de 1973 ofereceu a Irmandade para esta refeição obrigatória para todo o irmão e devoto, 40 arrobas de pão e 18 almudes de vinho". [pág. 193]

Fontes, António Lourenço (1992), Etnografia Transmontana (Crenças e Tradições de Barroso), Vol. I, 3ª edição Lisboa, Editorial Domingos Barreira

11.7.09

A dança dos meninos de Covas

[…] por tudo isto, Lídia, quando (ou) vires um gentleman faz-lhe uma figa ou, se o entenderes, um signo-saimão na encruzilhada em que venha a passar, preferível como um ouriço é arranhar as tripas do Marão, soltar lá de cima um viva cor de fogo e vir passar um serão valsado com a tuna de Meneses, lembras-te das maias e daquele grupo de meninos de Covas de Barroso, dançam tão bem, dizias, e cantavas com eles a história da pastorinha que voou com o vento e subiu aos palácios da manhã, cultura, enfeite de música nas rugas da montanha, ah este povo que se embebeda nas feiras, joga o pau sem boas maneiras e cultiva gerânios contra a noite no vale de Aguiar [...]

Extracto de um poema de António Cabral (Projecto Vercial) denominado “Entre o Azul e a Circunstância” do livro Antologia de Poemas Durienses (pág. 85), Edições Tartaruga

O nome de Vénus em Covas



"58. O planeta Vénus, de manhã, chama-se estrella da manhã (passim), e à noute: estrêlla dos pastores (Mondim da Beira), e boieira (Covas-de-Barroso, e Carrazeda de Anciães)."

Tradições Populares de Portugal (1882), J. Leite de Vasconcellos, Porto, Livraris Portuense de Clavel & C.ª - Editores, pág.31

Imagem retirada de www.zimbio.com

9.7.09

Das serras do Barroso

Recursos Piscícolas em Covas do Barroso

A Carta Piscícola Nacional é uma base de dados disponibilizada pela Direcção Geral dos Recursos Florestais (que contou com o apoio da Fluviatilis na sua concepção) que reúne informação científica relativa aos peixes dos rios e albufeiras de Portugal. Inventaria os recursos piscícolas dos ecossistemas fluviais com recurso a fontes científicas fidedignas.
No caso de rio Covas, a montante e a jusante do Aproveitamento Hidroeléctrico de Covas do Barroso (AHCB), que faz parte da bacia hidrográfica do Rio Douro e da sub-bacia do Rio Tâmega, encontramos referências às principais espécies presentes nesse rio.
As espécies referidas são:
- a Truta, a montante e jusante do AHCB;
- a Boga, a jusante do AHCB;
- o Barbo-do-Norte, a jusante do AHCB e o
- o Escalo-do-Norte,a jusante do AHCB.

Tenha-se em consideração que, de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados 2005, a truta-marisca é uma espécie "criticamente em perigo". Uma espécie está "Criticamente em Perigo" quando enfrenta um risco de extinção na natureza extremamente elevado.

A imagem foi retirada do site da ilustradora Julie Paschkis

5.7.09

Não há cá pézinhos de dança! Qué isso! Abrenúncio!




Descobri este 'perverso' cartaz, na casa do Sargaçal, em Covas do Barroso, vasculhando nos papéis que por lá havia. Guardei-o e digitalizei-o, para o poder partilhar.
Nestes dias em que dançar virou moda, com programas de televisão temáticos para todos os públicos e idades, para todos os gostos e carteiras, em todos os géneros e escolas, só posso dizer, pregando a pudicícia, os bons costumes e a moral impoluta, que:"A dança é a máscara do vício; é o coveiro da modéstia, do pudor e da honra; é o círculo que tem por centro o diabo!" Sinceramente, nunca pensei que bailar fizesse tão mal a tantas coisas. Mas também tenho cá para mim que estes Salesianos eram um bocado pés de chumbo!

Enciclopédia Luso-Brasileira: Covas do Barroso

"Covas do Barroso - Povoação e freguesia do concelho de Boticas, comarca de Montalegre, distrito e diocese de Vila Real. 1672 habitantes em 394 fogos (1960). Orago: Santa Maria. Situada a cerca de 12,5 km ao OSO da sede do concelho. Na sua área existem quatro minas de estanho (Figueira da Cabra, Novais, Souto Bougado e Souto Queimado). Foi primitivo povoamento muito anterior ao séc. XII, a partir do qual a primeira documentação escrita se lhe refere. A antiga freguesia era abadia da apresentação da Casa de Bragança, sua donatária. Administrativamente, foi sempre do termo de Boticas. Judicialmente, pertencia, em 1839, à comarca de Chaves; em 1852, à de Montalegre; em 1878, figurava no julgado de Eiró. Conservam-se nesta freguesia costumes muito antigos e curiosos como, por exemplo, uma série de cerimónias preparatórias, extra-oficiais, do casamento, que alguns etnólogos atribuem a herança dos Godos ou Francos.

F. Ribeiro

Bibliografia:
Luís Cardoso, Diccionário Geographico ou Notícia Histórica de todas as Cidades, Villas, Lugares e Aldeias, 2 Vol., Lisboa, 1747-1751"
Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno, 12 vols., Lisboa, 1873-189
Américo Costa, Diccionario Chorographico, 12 vols., Porto, 1929-1949

(Retirado da AAVV, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Vol.6, Lisboa, Editorial Verbo, pág. 247)

Gentes de Covas: Zé do Olga

Inquirições de D. Afonso III - 1258




Um dos documentos mais antigos relativos à freguesia de Covas do Barroso é relativo às Inquirições de D. Afonso III que se realizaram em 1258. Nessas Inquirições Gerais pode-se verificar os limites territoriais, os núcleos populacionais, as propriedades agrícolas e as suas principais produções. Um dos objectivos dessas inquirições era avaliar o estado do património régio e das rendas e direitos devidos ao rei, bem como o crescimento da propriedade privilegiada.



"Item, relativamente a Santa Maria de Covas – Martinho Martins tabelião, abade da própria igreja, sob juramento e interrogado disse que o Senhor Rei é patrono e capela de Santo Salvador de Vale Longo está subordinada à Igreja Santa Maria de Covas. Item, diz que a Igreja de São Pedro de Dornelas igualmente estava subordinada à Igreja de Santa Maria de Covas, mas o Arcebispo D. Estevão Pio tomou-a para si. Item, disse que em Covas o casal do Paço que está nas imediações da Igreja é propriedade reguenga do Senhor Rei [existindo para os seus fins] e existem aí outros três casais propriedade régia, dos quais o casal que está entre a fonte de Paredes e o Paço é de sua serventia. Item, no fundo de vila nas imediações da Fonte do Senhor Nunes existe outro casal e no Barreiro outro, dos quais dão ao Senhor Rei anualmente a terça parte de pão, vinho, linho e legumes e nada mais. Item, diz-se que do Casal de Via Cova e de Lama[is?] e do Outeiro e do Barreiro que é dos filhos Rodrigues Pelágio de Vides [Roderici Pelagii de Vides] tem o Senhor Rei quarta parte destes casais, dos quais dão a terça parte assim como daqueles acima referidos e deste modo estes soldados, por esse motivo, adquiriram o seu direito próprio de defender o Rei pela força. Item, existem aí outras leiras regalengas, naturalmente, o terreno de Sobradelo que está dividido e demarcado por paredes, do qual dão terça parte ao Senhor Rei, e os herdeiros deste lugar tomam por essa razão uma boa mediação pela força."

Documento completo e referências bibliográficas: Inquirições de D. Afonso III - 1258 @ Casa de Covas II

4.7.09

Circuito Pedestre de Covas do Barroso

Mapa de um percurso pedestre em Covas do Barroso.
Andem pela vossa saúde!

O Comunitarismo em Covas - o Boi do Povo

"Em grande parte das aldeias do concelho era frequente os lavradores associarem-se para a compra, manutenção e sustento de um ou mais touros reprodutores, consoante o número de vacas existente na aldeia. Este animal, localmente designado como Boi do Povo, era propriedade comum dos lavradores da aldeia e tinha como principal função a reprodução. Geralmente, a manutenção e sustento do Boi do Povo estavam a cargo dos lavradores de cada uma das aldeias, num sistema de rotatividade entre eles, à roda, durante um período de tempo proporcional ao número de vacas que cada um tivesse. Todavia, em algumas aldeias, eram os maiores lavradores, que detinham mais recursos, quem cuidava do Boi, um determinado tempo, que variava consoante as aldeias. Em Covas do Barroso, eram nove os pensadores do Boi. Cada um ficava com ele durante um mês. Os restantes lavradores, que não pensavam o Boi, pagavam a esses uma quantia em cereais, os alqueires de pão (milho) por cada vaca que tivessem para cobrição."

Da monografia: Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, Ed. Câmara Municipal de Boticas (pág. 119)

Imagem intitulada "Chega de Bois" retirada do site do atelier de artesanato Arte da Terra, localizado em Paradela do Rio, Montalegre

25.6.09

Recursos para a Genealogia

Numa pesquisa pela internet deparei-me com o site ETombo. O objectivo desse site é agregar todos as fontes em formato digital sobre genealogia portuguesa. Neste momento pretendem focar-se nas fontes primárias - os fundos paroquiais.

A partir desse site é possível aceder a documentos guardados no Arquivo Distrital de Vila Real relativos a Covas do Barroso. Aí podem-se encontrar digitalizações de diversos livros de registo de baptismo, de casamentos e de óbitos do fim do século XIX e início do séc. XX.

                                                     Exemplo de uma das páginas desses Livros


Fundos disponíveis on-line relativos a Covas do Barroso: ETombo Covas do Barroso

18.6.09

Camilo Castelo Branco - Carlota Ângela

"A filha unica de Norberto de Meirelles e D. Rosalia Sampayo chamava-se Carlota Angela, e tinha dezesete annos, em 1806.

Não era formosa; mas exquisitamente engraçada sim.

Norberto, filho de lavradores transmontanos, era campezino, rustico, e desageitado; Rosalia, com quanto procedente de progenie já cidadã desde seu avô, havia muito ainda que desbastar, e quatro gerações não tinham adelgaçado nada a raça originaria de Covas de Barroso.

Ora, a vergontea de troncos ou cepos taes não podia sair de compleição tão fina e delicada, como se usa liberalmente com as heroinas dos romances.

As feições de Carlota eram sêccas e trigueiras; mas a magreza não era de debilidade ou doença. O ligeiro toque de escarlate nas faces era a transparencia de sangue rico de toda a seiva dos dezesete annos. Tinha uma bonita fronte, e abundantes cabellos pretos, que ella enfeitava sem esmêro, mas com desalinhada graça, conservando-os, até essa idade, em tres tranças, que um laço de setim encarnado prendia na cintura em duas roscas. Á custa de importantes admoestações da mãe, Carlota reformou o penteado, em conformidade com a moda, que era ennastrar trancinhas de cabellos em dois grandes corações que ladeavam a cabeça, desde o vértice até ás orelhas, com matiz de lacinhos de varias côres: bonita cousa, antes da restauração das troixas contemporaneas, restauração, digo, porque as malas, no cucuruto da cabeça, começavam a decair do gosto em 1806."

Camilo Castelo Branco, Carlota Angela (Project Gutenberg)

30.6.08

Minha boa amiga: A Acção Católica Feminina - as circulares

Casa do Sargaçal: Ementa da semana do fim de Curso

Cozinhados

1º dia:
Sopa de cenoura
Arroz simples e croquetes
Batatas cozidas e salada de vagens

2º dia:
Sopa de couve com massa
Batatas com bacalhau à espanhola
Pão-de-ló

3º dia:
Sopa de abóbora
Batatas fritas com ovos estrelados
Maçãs fritas

4º dia:
Caldo Verde
Espinafre, batatas amassadas e omeletas de ovos
Maçãs cozidas

Dia de festa 4/10/1959:

Uvas, pêras, biscoitos e broa
Aos pais: doce de limão, doce de canela, prendas e ramalhete espiritual tudo feito pelas cursandas.