Colectânea de documentos históricos, textos literários, notícias, fotografias, vídeos & outros materiais
Casa do Sargaçal em Covas do Barroso: Ementa da semana do fim de Curso
Cozinhados
1º dia:
Sopa de cenoura
Arroz simples e croquetes
Batatas cozidas e salada de vagens
2º dia:
Sopa de couve com massa
Batatas com bacalhau à espanhola
Pão-de-ló
3º dia:
Sopa de abóbora
Batatas fritas com ovos estrelados
Maçãs fritas
4º dia:
Caldo Verde
Espinafre, batatas amassadas e omeletas de ovos
Maçãs cozidas
Dia de festa 4/10/1959:
Uvas, pêras, biscoitos e broa
Aos pais: doce de limão, doce de canela, prendas e ramalhete espiritual tudo feito pelas cursandas.
1º dia:
Sopa de cenoura
Arroz simples e croquetes
Batatas cozidas e salada de vagens
2º dia:
Sopa de couve com massa
Batatas com bacalhau à espanhola
Pão-de-ló
3º dia:
Sopa de abóbora
Batatas fritas com ovos estrelados
Maçãs fritas
4º dia:
Caldo Verde
Espinafre, batatas amassadas e omeletas de ovos
Maçãs cozidas
Dia de festa 4/10/1959:
Uvas, pêras, biscoitos e broa
Aos pais: doce de limão, doce de canela, prendas e ramalhete espiritual tudo feito pelas cursandas.
Casa do Sargaçal em Covas do Barroso: Um cursos da LACF e da Obra de Protecção às Raparigas
Listagem de um dos cursos da LACF (Liga Agrária Católica Feminina) e da Obra de Protecção às Raparigas ministrado por Bertília Martins, em 1959.
Curso para raparigas adolescentes (12 aos 16 anos), feito pela JACF e LACF em 1959.
Raparigas que assistiram a ele:
1. Bertília do Bonifácio
2. Lucília da Vitória
3. Delmina Torneiro
4. Preciosa Martinho
5. Leonilde Moleira
6. Carmina
7. Fernanda
8. Lúcia Fonte de Cima
9. Maria do Aires
10. Maria da Angélica
11. Maria do Céu (Elísio)
12. Olinda Ferreiro
13. Piedade da Emília
14. Lídia Miguel
15. Sãozinha Portela
16. Brazília Reguengo
17. Olinda Capador
18. Irene do Aquino
19. Bertília Duarte
20. Albina Vicente
21. Mavilde Capador
22. Celeste Reguengo
Dos cadernos de Bertília Martins
Curso para raparigas adolescentes (12 aos 16 anos), feito pela JACF e LACF em 1959.
Raparigas que assistiram a ele:
2. Lucília da Vitória
3. Delmina Torneiro
4. Preciosa Martinho
5. Leonilde Moleira
6. Carmina
7. Fernanda
8. Lúcia Fonte de Cima
9. Maria do Aires
10. Maria da Angélica
11. Maria do Céu (Elísio)
12. Olinda Ferreiro
13. Piedade da Emília
14. Lídia Miguel
15. Sãozinha Portela
16. Brazília Reguengo
17. Olinda Capador
18. Irene do Aquino
19. Bertília Duarte
20. Albina Vicente
21. Mavilde Capador
22. Celeste Reguengo
Dos cadernos de Bertília Martins
Peixes no rio Covas: trutas e bogas

"E cria alguns peixes com sam trutas e algumas bogas que pescão livremente em todo o anno eicepto nos meses da criaçam os que tem redes e habilidade e assim juntos com a do Couto vem correndo arrebatadamente thé o sítio das misturas que dista deste lugar de Covas meio quarto de legoa onde se lhe junta o rio de Covas"
Das Memórias Paroquiais de Covas do Barroso de 1758
Miguel Torga em Covas do Barroso (27 de Setembro de 1958)
"Almoço em casa do abade da terra. É bom alimentar de vez em quando o ateísmo a uma mesa residencial."
(Miguel Torga, in Diário VII, 3ª edição revista, pág. 158)
Corografia Portugueza e Descripçam Topográfica (1706): Santa Maria de Covas do Barroso
“Santa Maria de Covas, Abbadia da Casa de Bragança, que renderá seiscentos mil reis livres para o Abbade, tem Covas com cento & doze visinhos, Viveiro com cincoenta & seis, Campos com quarenta, Agrellos com vinte, Bustofrio com trinta, Casal de Guimera tem três visinhos, que vão ao Couto de Ornellas fora da Comarca.” [pág. 514 | PDF pág. 532]
Tombo da Freguesia de Santa Maria de Covas de Barroso – 12/11/1548
Registo Geral do ADB/UM, Cx. 279, Doc. Nº 11
LIVRO DE TOMBO DAS COISAS E PROPRIEDADES DA IGREJA DE SANTA MARIA DE COVAS, termo da vila de Montalegre –IN DEI NOMINE AMEN. – Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e quarenta e oito anos, aos doze dias do mês de Novembro do dito ano, em o lugar de Covas, termo da vila de Montalegre desta diocese de Braga da Mitra do Paço, na Ermida de Santo António, sita no dito lugar, por parte do Senhor António de Sousa, Abade da Igreja de Santa Maria, do dito lugar de Covas, me foi apresentado um alvará de comissão do Senhor Provisor, requerendo-me que em cumprimento do dito alvará eu lhe fizesse um livro autêntico de tombo das coisas que pertencem à dita Igreja, o qual alvará e treslado dele é o seguinte: - o Licenciado Baltazar Álvares (…) provisor em ausência do Licenciado Sebastião Álvares, faço saber a vós Jerónimo Luís, notário apostólico que por parte de António de Sousa, Abade de Santa Maria de Covas e de Santiago de Cerdedo e Santa Marinha de Covelo, terra do Barroso, e São Miguel de Vilar de Perdizes e Santiago de Vilarelho, terra de Chaves, todas neste Arcebispado de Braga me mandou dizer por sua petição que queria fazer os tombos das ditas Igrejas e pedindo-me que vos cometesse e mandasse que os fizésseis porque confiava de vós que faríeis o que convinha ao serviço de Deus e proveito das ditas Igrejas, o que visto perante vós mando que tanto que por eles fordes requerido vades a cada uma das ditas Igrejas e atombeis e fareis tombo das propriedades e limites de cada uma delas e para isso tomareis os clérigos e lavradores que vos parecerem necessários.
LIVRO DE TOMBO DAS COISAS E PROPRIEDADES DA IGREJA DE SANTA MARIA DE COVAS, termo da vila de Montalegre –IN DEI NOMINE AMEN. – Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e quarenta e oito anos, aos doze dias do mês de Novembro do dito ano, em o lugar de Covas, termo da vila de Montalegre desta diocese de Braga da Mitra do Paço, na Ermida de Santo António, sita no dito lugar, por parte do Senhor António de Sousa, Abade da Igreja de Santa Maria, do dito lugar de Covas, me foi apresentado um alvará de comissão do Senhor Provisor, requerendo-me que em cumprimento do dito alvará eu lhe fizesse um livro autêntico de tombo das coisas que pertencem à dita Igreja, o qual alvará e treslado dele é o seguinte: - o Licenciado Baltazar Álvares (…) provisor em ausência do Licenciado Sebastião Álvares, faço saber a vós Jerónimo Luís, notário apostólico que por parte de António de Sousa, Abade de Santa Maria de Covas e de Santiago de Cerdedo e Santa Marinha de Covelo, terra do Barroso, e São Miguel de Vilar de Perdizes e Santiago de Vilarelho, terra de Chaves, todas neste Arcebispado de Braga me mandou dizer por sua petição que queria fazer os tombos das ditas Igrejas e pedindo-me que vos cometesse e mandasse que os fizésseis porque confiava de vós que faríeis o que convinha ao serviço de Deus e proveito das ditas Igrejas, o que visto perante vós mando que tanto que por eles fordes requerido vades a cada uma das ditas Igrejas e atombeis e fareis tombo das propriedades e limites de cada uma delas e para isso tomareis os clérigos e lavradores que vos parecerem necessários.
Memórias Paroquiais de 1758 - Descrição das terras de Covas do Barroso
IAN/TT Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso, vol. 12, mem. 438 - fl. 3001
Discrissam da terra, serras e rios deste lugar e freguezia de Santa Maria de Covas do Barroso
Bento de Moura Comissário do Santo offício, Abbade da parochial igreja Santa Maria de Covas do Barrozo, comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz das Hespanhas. Certifico e digo em resposta aos interrogatórios que recebi por ordem do Ilustríssimo Abade Senhor Doutor Vigário Geral da dita comarca.
Ao primeiro este lugar de Covas hé termo do concelho da villa de Monte alegre da comarca e ouvidoria de Bragança pólo secular, e província de Trás os Montes pelo eclesiástico hé da comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz he cabeça da freguezia de Santa Maria de Covas do Barroso.
Ao segundo hé este lugar e freguezia como todo termo e concelho da jurisdiçam da Sereníssima Caza de Bragança, que nelle poem todas as justiças, e tem nesta freguezia muitos foros e cazas.
Ao 3º tem este lugar de Covas noventa e seis vizinhos com o arrabalde de Romainho que fica apartado meio quarto de légoa pouco mais ou menos, e tem quatrocentas e trinta pessoas de sete anos para cima.
Ao 4º está este lugar de Covas situado em hum vale piqueno cercado de montes àsperos com muitas pedras e de dentro delle senão descobre povoaçam alguma.
Discrissam da terra, serras e rios deste lugar e freguezia de Santa Maria de Covas do Barroso
Bento de Moura Comissário do Santo offício, Abbade da parochial igreja Santa Maria de Covas do Barrozo, comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz das Hespanhas. Certifico e digo em resposta aos interrogatórios que recebi por ordem do Ilustríssimo Abade Senhor Doutor Vigário Geral da dita comarca.
Ao primeiro este lugar de Covas hé termo do concelho da villa de Monte alegre da comarca e ouvidoria de Bragança pólo secular, e província de Trás os Montes pelo eclesiástico hé da comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz he cabeça da freguezia de Santa Maria de Covas do Barroso.
Ao segundo hé este lugar e freguezia como todo termo e concelho da jurisdiçam da Sereníssima Caza de Bragança, que nelle poem todas as justiças, e tem nesta freguezia muitos foros e cazas.
Ao 3º tem este lugar de Covas noventa e seis vizinhos com o arrabalde de Romainho que fica apartado meio quarto de légoa pouco mais ou menos, e tem quatrocentas e trinta pessoas de sete anos para cima.
Ao 4º está este lugar de Covas situado em hum vale piqueno cercado de montes àsperos com muitas pedras e de dentro delle senão descobre povoaçam alguma.
Pela serra do Barroso: um pouco de literatura
“Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho a obrigação de correr constantemente todo o País. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar. Talvez só por ser uma obrigação e as obrigações não darem prazer. Entusiasmo-me com a beleza das paisagens que valem como pessoas, e tive já uma grande curiosidade pelos tipos rácicos, pelos costumes, e pela diferença de mentalidade do povo de região para região.
Valor e uso da água em Covas do Barroso
sempre os direitos de água estão directamente relacionados com a área a regar. Uma forma que os agricultores utilizam, para preservar os direitos de água a que cada uma das suas parcelas agrícolas tem direito, é registar, juntamente com estas, os direitos de água.
A divisão da água processa-se em períodos temporais ou em quantidades de água, sendo que cada um deles assume uma multiplicidade de formas, ao longo do território concelhio. Os períodos temporais podem ser horas solares, de amplitudes temporais variáveis, ou horas “de relógio” como por vezes são designadas. As horas solares, que indicam quando se deve ceder ou desviar a água, são definidas pela sombra, em determinados locais. Por exemplo, o Sol Quente, em Covas do Barroso, é quando o sol toca num penedo localizado no crasto, ou então definem as “horas” consoante a sombra toca os riscos marcados na base dos cruzeiros, como também acontece em Covas do Barroso, ou ainda através de relógios de sol, como por exemplo em Veral. Estas “horas” têm uma dimensão temporal variável, podendo cada “hora” corresponder a períodos temporais de 4, 8, 12 ou 24 horas, consoante a aldeia." [pág. 115]
Imagem (Rol de Rega de Covas do Barroso) e texto da monografia: Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, Ed. Câmara Municipal de Boticas
Um estudo académico(em Inglês) de um sociólogo holandês sobre o uso e gestão da água em Trás-os-Montes. Inclui um estudo de caso sobre Romainho (Covas do Barroso): The Art of Irrigation, Adri L.J. van den Dries
Etnografia: as esquecidas tradições de casamento de Covas do Barroso
"O casamento é considerado um dos mais importantes rituais de passagem. Uma das manifestações mais curiosas das bodas da região é descrita por Pinho Leal em 1874, sobre os casamentos em Covas de Barroso que ele descreve como “curiosíssimos, pela antiguidade que revelam”.Na manhã da boda o noivo “com os seus” familiares, convidados e amigos dirigia-se à residência da noiva onde já os parentes dela estavam todos reunidos. O noivo batia à porta várias vezes até que os parentes da noiva após conversa entre eles perguntavam:- Quem é e o que quer? O noivo respondia: - É (fulano) que aqui vem buscar honra, gente e fazenda. - Entre, que tudo encontrará. Nessa altura, então, as raparigas ofereciam à noiva flores e doces de várias qualidades. Os noivos aceitavam provando os doces que depois eram distribuídos pelos padrinhos e pelos convidados. Enquanto este cerimonial se desenrolava eram recitados (talvez cantados) versos mais ou menos elaborados conforme a veia criadora dos autores. A tradição mais antiga era as raparigas oferecerem à noiva uma pomba e a noiva atava uma fita à cinta do noivo, mas nesta altura já tinha caído em desuso segundo descreve o autor." [pág. 156]
Da monografia: Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, Ed. Câmara Municipal de Boticas
Da monografia: Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas, Ed. Câmara Municipal de Boticas
A crise agrícola nas Memórias Paroquiais de 1758: Covas do Barroso e Boticas
"Em Boticas (território do actual concelho) a cultura dominante é por todo o lado o centeio, tal como se exprime claramente para a maioria das paróquias, porque se adapta melhor às terras e clima seco do planalto barrosão. Com uma ou outra excepção mal sofre a concorrência dos milhos tradicionais aqui nomeados, o milho miúdo ou painço. O milho grosso, cultura nova, em grande expansão no Norte Atlântico depois do século XVII, aparece também, neste painel de cereais, contestando aqui e acolá a primazia aos milhos antigos. Na freguesia de Covas de Barroso o milho grosso parece mesmo ter a primazia de todos os cereais mesmo do centeio. O trigo vai tão só registado em três paróquias: Ardãos, Cerdedo e Curros, o que quer dizer que a sua cultura é reduzida." [pág. 82]
"Nas Memórias do concelho de Boticas, área particularmente pobre, as referências vão sobretudo para a insuficiência da produção que não basta para a alimentação dos moradores que os obriga a comprar pão para o sustento. Nalguns casos o pão não chega para metade do ano; as causas, a geada, a pequenês das terras (Memória de Covas de Barroso, Curros, Dornelas)." [pág. 95]
As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, José Viriato Capela (coord.)
"Nas Memórias do concelho de Boticas, área particularmente pobre, as referências vão sobretudo para a insuficiência da produção que não basta para a alimentação dos moradores que os obriga a comprar pão para o sustento. Nalguns casos o pão não chega para metade do ano; as causas, a geada, a pequenês das terras (Memória de Covas de Barroso, Curros, Dornelas)." [pág. 95]
As Freguesias do Distrito de Vila Real nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, José Viriato Capela (coord.)
Personagens de Covas do Barroso na obra de Camilo Castelo Branco: Maria Moisés

“Viram que Maria da Laje, rompendo sozinha pelo escuro da noite, quando ouviu dizer que a filha se afogara, foi mãe naquela já tardia explosão de angústia e amor. O remorso pôde mais com ela que a selvajaria da sua virtude; mas ainda viveu seis anos com reveses de demência, e morreu em casa dos seus irmãos em Santa Maria de Covas de Barroso, repelindo o marido desde que lhe ouvira dizer: “A rapariga faz-me falta porque não tenho quem me governe a casa.”
“Para mim era ainda duvidoso se Josefa já era mãe quando acaso se afogou ou determinadamente se matou; mas, em 1817, fui eu mandado paroquiar na freguesia de Santa Maria de Covas do Barroso, onde vivia com seus irmãos a mãe de Josefa. Esta mulher tinha intermitências de loucura; mas, nos períodos de lucidez, passava mais amargurada porque chorava sempre pela filha."
Camilo Castelo Branco, Maria Moisés, Porto Editora
Etnografia: Balada de Santa Irene - versão de Covas do Barroso
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Visto em Pan Hispanic Ballad Project | |||||||||||||||||||||||||||||||||||
Moinhos de Covas do Barroso: a relação com a água
"Também ao longo de outra linha de água que bordeja pelo sul da Serra do Barroso e entre Cerdedo e Covas do Barroso (ao longo de cerca de 10 km) estão situados 28 moinhos. Ainda assim, está também patente a aglomeração de moinhos junto de algumas povoações, nomeadamente São Salvador de Viveiro (9 moinhos a menos de 1,5 km), Covas do Barroso (15 moinhos a menos de 1,5 km) e Coimbró (7 moinhos até cerca de 0,5 km)."
In Município de Boticas - Localização dos Moinhos
Envelhecer em Covas do Barroso
"Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o significado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal... e isso é precisamente a velhice." | Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim' |
Foto de Rui Correia |Blog | Olhares.com
Foto de Rui Correia |Blog | Olhares.com
Uma descrição de Covas do Barroso
Covas do Barroso: Como a sua toponímia refere esta aldeia, está situada no fundo (cova) das abas da serra do Barroso. Dista 15 Km da sede de concelho. Actualmente dispõe de dois bons acessos, ambos servidos a partir da estrada nacional n.° 311, que liga Boticas à vila de Salto. O orago desta freguesia é Santa Maria. Tem 473 habitantes (censos de 1991).
A origem desta povoação perde-se no tempo. A existência nas suas proximidades de um conjunto significativo de castros atestam a sua importância e antiguidade histórica, designadamente o de Lesenho e Muro. Esta povoação dispõe de muita água e de terrenos com óptima aptidão agrícola [...]. No rio Covas foi também construída uma mini- hídrica destinada à produção de electricidade.
Nesta freguesia existiram duas povoações, a de Cabanelas e de S. Martinho que se extinguiram por motivo da peste nos anos de 1560. Esta freguesia é uma das maiores e mais importantes do concelho de Boticas. [...]
A origem desta povoação perde-se no tempo. A existência nas suas proximidades de um conjunto significativo de castros atestam a sua importância e antiguidade histórica, designadamente o de Lesenho e Muro. Esta povoação dispõe de muita água e de terrenos com óptima aptidão agrícola [...]. No rio Covas foi também construída uma mini- hídrica destinada à produção de electricidade.
Nesta freguesia existiram duas povoações, a de Cabanelas e de S. Martinho que se extinguiram por motivo da peste nos anos de 1560. Esta freguesia é uma das maiores e mais importantes do concelho de Boticas. [...]
Miguel Torga em Covas do Barroso
«Covas do Barroso, 8 de Setembro de 1987 - Uma bonita imagem de Nossa Senhora de Rocamador na igreja matriz, e o forno do povo ainda quente e a rescender da última fornada. Um lavrador, quando me viu ougado, meteu a navalha a uma broa e fartou-me. O comunitarismo, por estas bandas, não é uma palavra vã. Significa solidariedade activa em todos os momentos. Até a fome turística tem direito ao pão da fraternidade.»[Miguel Torga, in Diário XV. Edição do Autor. 1ª edição, 1990.]
visto no blog Presa do Padre Pedro
Foto: Zé Pedro @ Olhares
Quarta idade nas ruas de Covas de Barroso
É realmente inacreditável como a vida da maioria dos homens flui de maneira insignificante e fútil, quando vista externamente, e quão apática e sem sentido pode parecer interiormente. As quatro idades da vida que levam à morte são feitas de ânsia e martírio extenuados, além de uma vertigem ilusória, acompanhada por uma série de pensamentos triviais. Assemelham-se ao mecanismo de um relógio, que é colocado em movimento e gira, sem saber por quê. E toda a vez que um homem é gerado e nasce, dá-se novamente corda ao relógio da vida humana, para então repetir a mesma cantilena pela enésima vez, frase por frase, compasso por compasso, com variações insignificantes.
Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'
Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'
Procissão de Nossa Senhora da Saúde, Covas do Barroso, Junho 2008
Festa de Nossa Senhora da Saúde
Celebra-se no 1.º Domingo de Junho, em Covas do Barroso. Esta é a festa principal da freguesia, dedicada à sua padroeira.
Dos limites históricos de Covas do Barroso: o Castro de Lesenho
"Povoado [proto-histórico], cuja cronologia é mal conhecida, apresenta vestígios materiais de romanização. Foram aqui recolhidas, em 1785, quatro estátuas de guerreiros galaicos, as quais em 1910 foram classificadas como Monumento Nacional. Muito citado por estes achados o Castro de Lesenho impressiona os visitantes não só pela imponência do cume, como também pelas muralhas e pela posição dominante sobre a belíssima paisagem envolvente. Devido à monumentalidade do sistema defensivo, à descoberta dos guerreiros e amplo controlo sobre o espaço circundante, tem sido considerado como capital de um dos populi citados por Plínio, embora não haja unanimidade acerca de qual seria." (Mais fotos e texto)Do blog Ícones de Portugal
Impressões dos viajantes: chegar a Covas do Barroso
Nos fundos das serras do Barroso, há um oásis de verdura, feito pelos milharais e bardos da e vinha morangueira, empoleirada pelas oliveiras e outras árvores, que como se costuma dizer, "lhe servem de escadas".Essa maravilhosa aldeia que é "transição" de Trás-os-Montes e Minho ao mesmo tempo, tem uma gente simpática, com bons contactos humanos resultantes das muitas visitas que todos os dias ali ocorrem, por causa dos seus monumentos ou dos povos limítrofes.
Covas do Barroso, é uma povoação distante, com o acesso bastante difícil, cheia de curvas, descendo-se em pouco espaço centenas de metros. É uma via que custa percorrer. Esta gente, isto é, a sua origem, deve perder-se nos tempos, pelo menos proto-históricos, dado o ambiente arqueológico em que se insere.
Património de Covas do Barroso: Igreja de Santa Maria de Covas
Algumas fotografias da Igreja de Santa Maria de Covas. É neste templo que se encontra o túmulo de Afonso Anes Barroso, escudeiro de D. Afonso, 1º Duque de Bragança, falecido no ano de 1459. De estilo românico, possui 2 altares e 2 capelas laterais.Foi considerado Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto-Lei nº. 47 508, de 24 de Janeiro de 1967.


Para chegar a Covas do Barroso - Mapas
"Situa-se no fundo de um vale, na vertente sul da serra do Barroso. É rodeada por campos verdejantes e atravessada pelo rio Covas. Mantém casas tradicionais em granito e espigueiros, bem como testemunhos de tradições ancestrais, como é o caso do forno comunitário, ainda visível, cercado por bancos de pedra onde as mulheres se sentavam enquanto o pão cozia. No extremo sul da aldeia, encontra-se a igreja paroquial de Santa Maria, uma das mais preciosas igrejas românicas transmontanas. A planta é em cruz latina, com interior de uma só nave, cabeceira laboriosamente trabalhada e frescos nas paredes."
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